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Desprezando o seu direito de primogenitura

H. E. ALEXANDER

 

Entre os livros mais antigos da humanidade, a Bíblia é o livro mais atual e mais impactante que existe. Quanto mais nós a conhecemos, mais constatamos que página após página, história após história, fatos após fatos, ela nos fala de forma viva, direta, atual e reveladora.

Eis um exemplo:

“... Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura...” (Gn 25:34).

Mas o que era o “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b) dos filhos de Jacó? Na cultura da época, significava o direito do filho mais velho em ter a benção do pai, como também sua herança e o nome da família. Do ponto de vista espiritual, representava o cumprimento da promessa em (Gn 3:15) “...porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirá o calcanhar”.

Através desta descendência a serpente seria vencida e julgada, essa descendência divina que deveria triunfar sobre o mundo. Sim, Deus nos providenciaria um Salvador divino, uma herança direta da promessa para vir ao mundo nos dar a vida eterna.

“... Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!  Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra...” (Gn 12:1-3).

Tudo isso pertenceria ao primogênito, mas Esaú desprezou essa herança por um prato de lentilhas (Gn 25:34). O autor da epístola aos Hebreus relata o fato histórico dizendo que “... por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura, pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado; pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado” (Hb 12:16b-17).

Quantos não fazem a mesma coisa nos nossos dias, e se encontram na mesma situação? O mundo os absorve totalmente, e eles não respeitam a glória de Deus, nem a liberdade dos homens.

O culto à inteligência e à glória humana são os valores dos nossos dias. Não devemos ficar surpresos com a aproximação dos dias nos quais “... homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados...” (Lc 21:26). Diante de tal cenário, é comum alguém dizer: “... comamos e bebamos, que amanhã morreremos...” (I Co 15:32b e Lc 17:26-30). E assim, quantos não se deixam levar por esse pensamento e vendem seu direito de primogenitura “... por um repasto...” (Hb 12:16b)?

O “... direito de primogenitura...” (Gn 25:34b) que para Esaú e Jacó se referia ao plano material, para nós se refere ao plano espiritual. Ainda que estejamos mortos nos nossos “... delitos e pecados...” (Ef 2:1), como “... filhos da ira...” (Ef 2:2b) merecendo plenamente a cólera de Deus, Ele não nos tratou como merecíamos, ao contrário, enviou o Seu Filho amado, o Filho da promessa, Jesus Cristo para tomar sobre Si nossos pecados, a fim de que “... todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna...” (Jo 3:16b).

Jesus Cristo veio ao mundo para nos salvar, nos justificar, nos adotar como Seus filhos, e “... também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo...” (Rm 8:17b).  Este é o nosso “... direito de primogenitura...” (Gn 25:34b).

Além do mais, através de Sua obra redentora e o poder do Espírito Santo, Ele nos chama não somente a sermos salvos pela graça, mas também a serví-Lo.

Não há mais apóstolos e profetas, e os anjos não podem fazer o nosso trabalho. Assim  “... Deus escolheu... as coisas fracas do mundo...” (I Co 1:27b) para cumprir Seu maravilhoso plano de bençãos e felicidade para os homens.

Cada um de vocês que se diz cristão tem a responsabilidade de ser Sua testemunha, de seguí-Lo e serví-Lo no meio dos seus semelhantes. “... eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação...” (II Co 6:2b). Sim, esse é o momento favorável para você dar o seu testemunho.

Este é o modelo bíblico de vida cristã: “... deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro...” (I Ts 1:9b).

Sim... Servir a Deus! Começando na sua casa, a sua volta, próximo daqueles que o cercam no dia-a-dia. Então Ele poderá conduzí-lo “... até aos confins da terra...” (At 1:8b). Mais uma vez, esse é o seu “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b), trabalhar para o Reino, para a eternidade.

Devemos servir a Deus num tempo como o nosso, ainda que num mundo agitado e sem paz, para dizer que existe uma única esperança, uma só justiça, uma só verdade e um só caminho de paz: Jesus Cristo!

Proclamar essa mensagem mesmo entre aqueles “... que se acham investidos de autoridade...” (I Tm 2:2b), pois Deus também quer que “... sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade...” (I Tm 2:4b). Essa mensagem deve ser proclamada a todas as raças e povos, sem restrição. Esse é o seu “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b).

“... Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).

Você venderia isso por um prato de comida?

É necessário servir a Deus no meio da sua geração, identificando-se com suas necessidades, entendendo os seus sofrimentos, suas tristezas, suas dúvidas e conduzindo-os a Deus através de Jesus Cristo.

“... Somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (II Co 5:20).

Levar adiante essa mensagem, esse é o seu “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b).

Sim, devemos compartilhar esse tesouro incomparável chamado Bíblia, a própria palavra de Deus, revelação para todos os homens e todas as nações. Essa Palavra que está acima de qualquer outra, dada por Deus através dos séculos, traduzida em centenas de línguas, para que cada homem possa conhecer o que Deus diz.

É um inestimável privilégio e gloriosa vocação de cada um que se diz cristão: semear a semente incorruptível da palavra de Deus e vê-la brotar.

A Bíblia é um livro que nos fala diretamente sobre o pecado, a mentira, a iniquidade ou a injustiça dos homens. Ela revela do que os homens são capazes sem jamais contaminar a sua divina inspiração. Ela revela o amor de Deus, Sua misericórdia insondável, Sua compaixão imensa por cada alma sem deixar de mostrar a Sua ira contra a hipocrisia e falsa religiosidade. Eis o maior tesouro do mundo, capaz de transformar toda a sociedade humana.

O próprio Senhor Jesus disse: “... Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15).

Reflita agora sobre o título dessa meditação: “Desprezando o seu direito de primogenitura”.

Você venderia o seu direito de primogenitura por um miserável prato de lentilhas, que depois em pouco tempo o deixaria decepcionado e frustado? Não é este o resultado de tal desprezo? E por que então desprezamos esse direito? Seria por temor dos homens?

Você possui o desejo de seguir o Senhor e serví-Lo, mas na família há oposição e incompreenção. Como agir? Recuar e desprezar o seu “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b)?  O Senhor diz: “... Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc 9:62).  Ou seria por amor às coisas do mundo?  Seja sincero, você ama “... o mundo... as coisas que há no mundo” (I Jo 2:15a)?  Você já se acostumou com o gosto dessas águas contaminadas das “... cisternas rotas...” (Jr 2:13b).

A Bíblia fala dos “... prazeres transitórios do pecado” (Hb 11:25), porém, “...que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8:36). Pense bem!

Será que o seu desprezo provém do amor a sua vida fácil, “segura” e tranquila? Você é indiferente ao sofrimento e a perdição do mundo, indiferente ao chamado Daquele que você diz amar? Que egoísmo extremo! Você esquece que “...de Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção...” (Gl 6:7-8a). Mesmo assim, você ainda venderia o seu “...direito de primogenitura” (Gn 25:34b) por um prato de lentilhas?

Você quer agradar aos homens? Infelizmente, precisamos reconhecer que uma das maiores tragédias dos nossos tempos são jovens que aspiram servir, querendo seguir o exemplo daqueles que já estão no campo missionário, desejando deixar para trás suas vidas inúteis, mas não podem fazê-lo por causa de influências contrárias das pessoas a sua volta. Que sofrimento para o Mestre!

Tantas vidas impedidas de servir por aqueles que se opõem às vontade do Senhor. Muitas vezes isso acontece em nome de um interesse que se diz religioso, “... como dominadores dos que vos foram confiados...” (I Pe 5:3a), ao invés de deixá-los seguir o caminho glorioso do serviço para Deus.

Jovens, o temor dos homens é uma armadilha, nos diz a Bíblia, mas o “... O temor do SENHOR é o princípio do saber...” (Pv 1:7a). Que ninguém faça comércio com a alma nem os seus galardões. Fiquem atentos para que ninguém lhe faça vender o seu “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b) e isso por um prato de lentilhas!

Os eventos no mundo se sucedem, e as possibilidades de serví-Lo não estarão sempre disponíveis. As dificuldades no caminho do cristão verdadeiro só aumentarão:  “... a noite vem, quando ninguém pode trabalhar...” (Jo 9:4).

“... Eis que vêm dias, diz o SENHOR Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. Andarão de mar a mar e do Norte até ao Oriente; correrão por toda parte, procurando a palavra do SENHOR, e não a acharão. Naquele dia, as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede...” (Am 8:11-13). O grito se fará escutar “... Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos...” (Jr 8:20).

Por esta razão, as portas se fecharão e milhares de pessoas ficarão sem conhecer a Graça, sem jamais possuir a Palavra divina nas suas mãos. Por consequência, não poderão aceitar conscientemente a Cristo. Sim, milhões de pessoas no mundo ainda não sabem que existe um Salvador para elas. E portanto, já se passaram dois mil anos desde que o nosso Mestre nos disse: “... e serei minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1:8b).

“... Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele que em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forém enviados?” (Rm 10:13-15).

Um dos privilégios do seu “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b) e ao mesmo tempo responsabilidade, é precisamente o fato que você já foi enviado. Você carrega o nome de cristão; você creu na Sua obra redentora e você é responsável por levá-la adiante. Esse é o seu verdadeiro “... direito de primogenitura” (Gn 25:34b)

Se você simplesmente deixe o tempo passar, será cada vez mais absorvido pela mentalidade desse mundo. Os seus valores espirituais e eternos se enfraquecerão, sendo substituídos por coisas ilusósias.

“... Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares...” (Is 55:2)

Qual será a sua decisão? Você quer desprezar o que Deus lhe deu em troca de um prazer passageiro? Ou você fará jus à sua herança para a glória de Deus e para a felicidade daqueles tantos que também estão esperando por esse mesmo tesouro?

 

Publicação: Ação Bíblica

Título original: Vendant son droit d´aînesse

Tradução: Celio Rosa

Revisão: Paulo Lopes

Citações Bíblicas: Tradução Almeida Revista e Atualizada

1° Edição - 2016

Ação Bíblica do Brasil

Todos os direitos reservados

Na ilha chamada Patmos

H. E. ALEXANDER

 

 

Publicação: Alliance Biblique

Título original: Patmos

 

 

 

Tradução: Celio Rosa

Revisão: Paulo Lopes

Citações Bíblicas: Tradução Almeida Revista e Atualizada

1° Edição - 2016

Ação Bíblica do Brasil

Todos os direitos reservados

 

Apocalipse 1

 

O primeiro capítulo do último livro da Bíblia reforça uma mensagem particular e vital aos cristão dos últimos tempos, quando as trevas cobrem o mundo, onde a desordem e a dor só aumentam continuamente.

Trata-se da introdução fundamental para o livro de Apocalipse, porém a experiência pessoal desse servo de Deus, prisioneiro solitário e exilado na ilha de Patmos, também foi escrita para “...a nossa educação na justiça...” (II Tm 3:16b).

Vejamos primeiramente as circunstâncias do apóstolo amado João.

  1. “...Eu, João...achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9a).

As causas do seu exílio e sofrimento são claramente descritas, e sem dúvida alguma, servem de ensino sobre a vontade de Deus para cada membro do Corpo de Cristo nos dias de hoje, quando nos aproximamos do final da dispensação da Graça.

O texto diz: “...por causa da palavra de Deus...” (Ap 1:9a). Tal era a sua motivação e a causa pela qual estava preso. Sim, essa era a sua motivação, o seu objetivo de vida e de testemunnho: “...por causa da palavra de Deus...” (Ap 1:9a).

É também sobre essa mesma motivação que o povo de Deus precisa se concentrar nos nossos dias, com todas a suas forças e esforços. Precisamos nos consagrar inteiramente à autoridade da palavra de Deus, a Bíblia. Entretanto, nesses tempos de decadência moral e espiritual, tempos Laodicéia, poucos estão dispostos a sofrerem pela causa, defendendo publicamente os princípios dessa mesma palavra de Deus. Vivemos num tempo em que muitos preferem relaxar os padrões e se conformarem àquilo que é mais fácil, mais popular e menos custoso.

Nossas interpretações e pontos de vistas eclesiásticos podem ter suas razões de existir, mas nada deve estar acima da autoridade da palavra de Deus, que é o nosso alimento, a nossa luz e a nossa força.

É nesse mesmo ponto que Satanás também se concentra, usando toda as suas astúcias para nos vencer, pois ele sabe bem que nos vencendo nessa área, o resto pouco importará. Vemos que seus principais ataques são contra o cristianismo bíblico, o qual foi chamado por Deus justamente para preservar a autoridade da Bíblia contra as tradições religiosas, testemunhando o poder do evangelho contra rituais e o pecado do racionalismo.

Uma estratégia de combate se faz necessário (II Co 10:4 ) diante da situação criada pelo inimigo. Precisamos de protestantes que protestem, de cristãos que creiam, que sejam mais que vencedores em Cristo.

Por que então deixamos enfraquecer o nosso testemunho questionando ou relativisando a autoridade e inspiração da palavra de Deus? Agindo desta forma, enfraquecemos o Corpo de Cristo, trazendo vergonha ao Seu nome, e desprezando a nossa recompensa.

Como podemos pretender ter a mesma fé, colaborando com homens cuja posições e convicções não são das Escrituras plenamente inspiradas por Deus?

Com certeza colaborando com eles, seremos mais populares, e evitaremos problemas, mas  no longo prazo, o que diremos diante do Tribunal de Cristo? O que nos dirá o Senhor (I Co 3:10-15)? Se necessário, devemos suportar as dores por Cristo, nos separando dessas companhias, agindo em conformidade com a palavra de Deus, tendo em vista o nosso encontro com o Senhor.

Também lemos: “...por causa... do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9a). Sim, o nosso testemunho e luta pela Verdade, herança gloriosa de todo cristão verdadeiro (Judas 3 e Fp 1: 27b).

Apenas teremos impacto sobre as pessoas ao nosso redor se as nossas vidas testemunharem verdadeiramente Jesus Cristo, em santidade e fidelidade. Nos podemos ter crenças e convicções bíblicas, mas elas precisam ser apoiadas em uma vida e uma conduta verdadeiramente bíblica.

Para mantermos a integridade das Escrituras, precisamos ter vidas íntegras. Precisamos ter vidas que sejam a “...carta de Cristo...” (II Co 3:3a), que testemunham uma vida nova, do próprio Ressurreto.

Não deixemos de pedir a Deus para que nossas vidas tenham algo mais, algo que nos diferencie, como o apóstolo João, uma ambição, um traço característico: “...por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9a).

Então saberemos o que é o exílio, e conheceremos a nossa ilha Patmos, com seus sofrimentos, semelhante ao exílio do Calvário, onde Cristo morreu sendo menosprezado pelo homens, inimigos e amigos, incrédulos e religiosos.

A ira do inferno se manisfesta pelos homens e pelos acontecimentos que ainda virão, mas estando nós no exílio de Patmos, Ele nos conduzirá à glória, como João descreve: “...achei-me na ilha chamada Patmos... achei-me em espírito...” (Ap 1:9-10a).

Para João, Patmos foi o prelúdio do céu, da entrada na glória. Sendo “...companheiro na tribulação...” (Ap 1:9a), ele enxerga o “...reino...” (Ap 1:9b). Sim, João, um exilado sem recursos nem proteção humana, foi entretanto instrumento de Deus, “...sacerdotes para o seu Deus...” (Ap 1:6b)!

Ele pertencia ao “...reino...” (Ap 1:6b) que não pode desfeito, ainda que atravessasse “...tribulação...” (Ap 1:9a), com “...perseverança...” (Ap 1:9c). Você entendeu a importância desse ponto?

Em resumo: “...tribulação... reino... perseverança...” (Ap 1:9). Que vocação gloriosa!

“...Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas...” (Hb 12:1a) vivamos essa mesma vocação celeste e consideremos como motivo de alegria sermos “...companheiro na tribulação...” (Ap 1:9a) por causa “...da palavra de Deus e do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9b).

“...Se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados...” (Rm 8: 17b). Sim, com Ele reinaremos, como “...herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo...” (Rm 8: 17a).

Fazer parte desse reinado significa ter uma comunhão íntima com Cristo, incluindo Sua rejeição, Sua dor, Sua morte, para também viver em novidade de vida, como prelúdio da glória.

Acomodar-se aos padrões do mundo, ainda que com aparências religiosas, nos exclui desse exílio em Patmos, nos impede de sofrer “...por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9b) e nos impede de reinar com Cristo.

Neste instante, em meio a tantos acontecimentos no mundo, o Senhor ainda permite aos homens de se exilarem em Patmos, aqueles que querem ser um só “...espírito com ele...” (I Co 6:17b) e um mesmo Corpo com Ele (Rm 6:4-6).

Irmãos em Cristo, emigremos à Patmos! As jóias da Glória se encontram apenas na ilha de Patmos. Não tenhamos medo, não hesitemos...partamos à “...Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9b).

 

  1. “...Revelação de Jesus Cristo... achei-me em espírito... e ouvi...” (Ap 1:1 e 10b).

Aquele que João havia visto morto no Calvário, ele O via agora glorificado no Trono. Gólgota não tinha sido o fim. Sua morte não havia sido uma derrota! Gólgota foi apenas um degrau, rumo para o Trono e a cruz simplesmente a porta para a glória.

Eis o Senhor...com todo o Seu esplendor e poder da Sua glória, encarnando toda a plenitude da Sua Divindade, “...acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome... todas as coisas debaixo dos seus pés...” (Ef  1:21-22a).

“...Tragada foi a morte...” (I Co 15:54a), o mundo vencido (Jo 16: 33), o diabo e o inferno totalmente destruídos (Hb 2:14 e I Jo 3:8), a vitória absoluta foi conquistada (Cl 2:15), e para completar, o céu, com toda Sua glória, dado (I Co 2: 9-16) a nós, “...os que cremos...” (Ef  1:19b).

Louvemos a Deus pelos nossos “Patmos”, esses exílios do mundo, das igrejas apóstatas, da Laodicéia.

E nesse exílio que está a sua verdadeira alegria, ainda que “...por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível... redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo...” (I Pe 1:5-7).

A apóstolo João já não sentia o peso das correntes na prisão, nem as circunstâncias desfavoráveis. Lá em Patmos, ele havia aprendido que o “...Trono de glória enaltecido desde o princípio, é o lugar do nosso santuário.” (Jr 17:12).

Estando em comunhão, num mesmo espírito com Cristo (I Co 6:17), ele conseguia enxergar mais além das circunstâncias, das aparentes derrotas ou do poder do inimigo. Ele se focava unicamente na revelação da glória do Senhor. Ele via com olhos da glória, com a certeza da vitória do Rei (Is 33:17).

Perseverando firme em Cristo, ele fazia parte daqueles que não se abalariam diante das portas do inferno e da morte (Mt 16:18). Como vencedor, ele sabia o que lhe estava reservado: “...Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono. (Ap 3:21). Sim, acima de tudo, ainda que diante de circunstâncias cruéis e adversas, ele ousava, pela fé que vence o mundo (I Jo 5:4), enxergar-se ao lado do seu Senhor, no “...Trono de glória...” (Jr 17: 12a).

Eis o destino desse exilado: diante dos homens, apenas mais um prisioneiro. Diante de Deus, e também do Inimigo, ele já estava sentado na glória. Assim é o destino de todo aquele que aceita hoje o exílio em “...Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9a).

 

  1. “...Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: Não tenha medo...” (Ap 1:17).

Eis o segredo da relação entre apóstolo João e o Senhor. O trono é apenas para os que com Ele foram crucificados. As riquezas incompreensíveis de Cristo são para aqueles que se reconhecem “...como morto...” (Ap 1:17a), na Sua total dependência. Essa é a essência da consagração, a chave para as bênçãos e a explicação para aqueles que delas carecem:  “...Quando o vi, caí aos seus pés como morto...” (Ap 1:17a). Diante do Cordeiro, face a face com o Salvador, como ousaríamos permancer em pé? Que presunção!

Irmãos e irmãs, se o nosso espírito se alegra com a glória, é fundamental que nossa alma, nossos dons, nossa razão, nossa inteligência, nossa vontade, nossos afetos e emoções, caiam como mortos diante dos Seus pés. Estamos dispostos a pagar esse preço?

Estamos com medo de Patmos? É justamente em Patmos que devemos “...perder a sua vida...” (Mt 16:25b) e mesmo a odear (Jo 12:26), tudo por amor a Cristo e ao evangelho (Mc 8: 35).

Afinal, é justamente em Patmos que recebemos infinitamente mais, uma entrada gloriosa  “...no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo...” (II Pe 1:11b).

Que os Seus “...olhos, como chama de fogo...” (Ap 1:14b) penetrem plenamente em nosso ser e que nós nos prostremos “...aos seus pés como morto...” (Ap 1:17a).

Como o vaso precisa ser quebrado para derramar o bálsamo (Mc 14: 3 e Jo 12: 3), assim nossa vida, com seus dons e habilidades. Tudo deve passar pelo fogo do altar, para ser consumido, antes que Sua vida, Sua glória e Seus dons possam se manifestar livremente em nossas vidas.

Não hesitemos, destruamos os nossos ídolos, sejam quais forem, façamos o sacrifício que seja necessário, e caiamos “...aos seus pés como morto...” (Ap 1:17a). Assim, Ele colocará “...sua mão direita...” (Ap 1:17a) sobre nós! Uma experiência pessoal daquilo que é descrito nas Escrituras como o poder de Deus.

Essa “...sua mão direita...” (Ap 1:17a) não se restringe apenas aos mortos. Ela clama: “...tu, pois, cinge os teus ombros, dispõe-te...” (Jr 1:17a), e ainda “...Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares...” (Js 1:9).

Ele mesmo diz: “...Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno...” (Ap 1:17b-18).

“...Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu...” (Lc 15:31).

Pela fé e testemunho do Espírito de Deus, os derrotados se tornam vencedores, “...mais que vencedores...” (Rm 8:37b) e os mortos tornam à vida e das “...coisas loucas...e...fracas do mundo...” (I Co 1:27b) o poder sobre “...tudo...na terra...nos céus...” (Mt 18:18b).  Diante deles as muralhas de Jericó caem (Js 6:1-21), os sepulcros se abrem (Mt 27:52a), as pescas se tornam maravilhosas (Jo 21:6) e deles correm “...rios de água viva...” (Jo 7:38b).

Para eles o Senhor abre “...uma porta...a qual ninguém pode fechar...” (Ap 3:8b) e coloca a Sua benção, a maravilha da Sua santidade, para anunciar às almas perdidas nas trevas, Seu perdão e Sua paz.

Eles são os Seus embaixadores (II Co 5:20), os Seus servos e ministros (II Co 3:6-18), Suas testemunhas (At 1:8) vivas nEle, dEle e para Ele, ainda que estando em exílio a “...Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus...” (Ap 1:9a).

Caro leitor, o Senhor tem falado ao seu coração? Ele quer oferece-lhe uma vida gloriosa... Uma vocação e um ministério ao qual nada pode se comparar. Por que se contentar com tão pouco, quando Ele está lhe oferecendo tudo?

Ainda há hoje um lugar “...na ilha chamada Patmos...” (Ap 1:9a) para você.

 

 

 

 

 

Você tem certeza?

H. E. ALEXANDER

 

Publicação: Ação Bíblica

Título original: Avez-vous la certitude?

 

Certeza de que? Certeza... Hoje em dia? Podemos ter certeza do futuro?

Existe alguma certeza sobre a paz? Você acredita que vivamos em paz? E qual a certeza de que esta paz durará?

Você está certo que aquilo que prospera hoje irá prosperar no futuro?

E a sua saúde, se ela está bem hoje, irá permanecer assim para sempre?

Você está trabalhando hoje, mas qual garantia você tem sobre o seu emprego?

O estado atual da economia, será o mesmo amanhã?

De um fato temos certeza nos nossos dias, é justamente a incerteza sobre todas as coisas. A única constante não são justamente as mudanças?

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Que Feridas São Essas?

H. E. ALEXANDER

 


Publicação: Action Biblique – LA MAISON DE LA BIBLE

Título original: D´où viennent ces blessures?


...Que feridas são essas nas tuas mãos?, responderá ele: São as feridas com que fui ferido na casa dos meus amigos” (Zc 13:6).

A profecia é a história escrita antecipadamente. Sim, os profetas do Velho Testamento  profetizaram tendo em vista a graça que nós desfrutamos, sempre buscando, ainda que indiretamente, a salvação que hoje nos é oferecida.

O Espírito Santo os acompanhava para descrever antecipadamente os sofrimentos e a glória do Senhor Jesus que ainda viriam.

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Quem nos Removerá a Pedra?

H. E. ALEXANDER

 

 

Publicação: Action Biblique

Título original: Qui nous roulera la pierre?


“...Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?” (Mc 16:3).

“...Foram elas ao túmulo... e encontraram a pedra removida do sepulcro...” (Lc 24:2).

Este segundo versículo está no evangelho de Lucas, o qual revela que “...o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” (Lc 19:10). Esse evangelho enfoca-se em mostrar nosso divino salvador como homem perfeito, e por isso, fornece inúmeros detalhes e aspectos que contribuem para uma atualidade do texto que é admirável. As circunstâncias da família, a pobreza, o Seu amor e a Sua indignação, como também, Seus amigos com suas fraquezas, falhas e dúvidas.

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