Date

out 10

10 de Outubro

Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.

João 14:8

Esse pedido de Filipe é um grito de órfão que encontra eco no coração do Pai. Um pouco adiante Jesus lhe responde: “Não vos deixarei órfãos…” (v. 18). Faltava alguma coisa a Filipe. Ele havia seguido a Jesus de Nazaré desde o dia em que o encontrara. Foi ele quem disse a Natanael que tinha encontrado o Messias. Foi ele também quem avisou a Jesus que alguns gregos queriam vê-lo. Ele tinha, pois, dado testemunho e servido ao Mestre, mas faltava-lhe alguém. Não tinha compreendido que quem visse Jesus, via o Pai. Filipe era órfão e não compreendia muitas coisas.

Precisamos escutar a resposta do Senhor: “Há tanto tempo que estou convosco, e não me tens conhecido?” (v. 9). Ah! Nossas incompreensões! Como compreendemos mal as coisas santas! O Senhor está conosco desde o dia em que o recebemos em nosso coração e muitas vezes o desconhecemos. Mas, quando compreendemos a grande paciência do Pai e do Filho a nosso respeito, a nossa incompreensão desaparece.

Isso “nos basta”. No texto original, o verbo “bastar” tem a idéia de uma muralha de proteção, abrigando contra toda surpresa exterior. É isso que o Pai celeste é para nós: uma defesa protetora. Se o conhecermos assim, ele nos guardará de caminhos laterais. Não faremos mais a pergunta “Posso fazer isto ou aquilo?” porque possuiremos uma abundância de vida e de satisfação que naturalmente nos separará daquilo que é incompatível com sua vontade — e isso simplesmente porque o amamos. O Filho deu sua vida por nós e nós lhe damos a nossa.

Essa suficiência plena apagará nossas queixas e temores, como o sol da primavera apaga os traços do inverno mais longo e mais rude. Creiamos, pois, e com simplicidade, que o Pai faz sua morada em nossa vida e a transforma, fazendo de nós donos e herdeiros de tudo o que ele tem e de tudo o que é.