21 de Agosto
O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.
Salmos 23:1
Conhecido e amado por multidões, esse salmo esconde riquezas que nunca poderão ser completamente sondadas.
Na primeira parte, Davi fala do bom pastor e dá testemunho dele, o que deveria ser também a nossa experiência.
Mas a partir do versículo 4, alguma coisa muda: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. O “ele” muda para “tu”. Por quê? Porque Davi atravessou o vale da “sombra da morte”.
Será que já estivemos, de repente, diante desse vale? Parece-nos espessa e incompreensível “a sombra da morte”? Será que choramos como os que não têm esperança? Não! “Porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. O que aconteceu? Se o “ele” transformou-se em “tu” no vale da sombra da morte, é porque a ovelha encontrou seu Senhor, descobriu-o de novo. Daí em diante sua relação com ele é mais pessoal e íntima. Esse vale e essa sombra existem no caminho de cada ovelha, mas não há vale sem montanha nem sombra sem luz.
Quando a provação tiver produzido fruto em nossa vida, resultará em uma marcha mais proveitosa atrás do bom Pastor. Então poderemos dizer: “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda” (v. 5).
Quando essa relação espiritual é restabelecida, a mesa posta substitui a pobreza e a escassez de nossa vida e de nosso espírito. Os outros não serão mais repelidos, mas sim atraídos por essa mesa. Se aceitarmos a disciplina de sua vara, que nos dirige e nos guarda no caminho, sem fugir à correção do Senhor, seremos consolados. Nossa cabeça será ungida com óleo, e nosso cálice transbordará sobre os outros. O objetivo do Senhor não é nos empobrecer, mas enriquecer; ele não nos quer abater, mas nos elevar acima de tudo o que for egoísmo e orgulho. A provação produzirá fruto em todas as direções, e o vale sombrio terá assim uma saída gloriosa.