Manacapuru, maio de 2025.
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Romanos 8:28
Queridos irmãos, essas verdades que Paulo compartilhou com os romanos expressa muito bem o sentimento dos nossos corações.
No final de abril, entre os dias 21 e 26, teve início a quinta turma do Seminário Flutuante na comunidade indígena de Terra Vermelha, com 66 alunos.
Tive o privilégio de ministrar a matéria de Panorama do Antigo Testamento.
Como é bom ver esse ciclo se renovando e se reproduzindo!
Hoje temos vários filhos de alunos e missionários da nossa missão, uma turma bem eclética, com casais maduros, rapazes, moças e alguns de mais idade.
Oremos por esses alunos e por toda a equipe: são mais trabalhadores se preparando para a grande seara do Senhor.
Acabamos de realizar a segunda viagem para o Purus, um rio cheio de lagos, curvas e desafios. A novidade foi reinaugurar a nossa embarcação; o Palavra de Paz estava em reforma havia dois anos. Ele ficou mais robusto, com um motor de centro Mercedes de 250 hp. a diesel. Agora é mais econômico, além de ter mais força e velocidade.
Nossa intenção era partir de Manacapuru com uma equipe de 12 pessoas, navegar cerca de 12 horas seguindo rumo às comunidades em que íamos fazer o trabalho, porém duas horas depois, no Rio Solimões, batemos num pau que deixou a hélice avariada, resultando em muita trepidação, perda acentuada de velocidade e aumento exagerado de consumo.
As dificuldades foram tantas, que por várias vezes pensamos em desistir e retornar, mas sabíamos da importância de seguir em frente. Depois de 57 horas, finalmente chegamos ao nosso destino. Sentimos Deus renovando nossas forças e nos dando a alegria de estar ali nessas três comunidades. Realizamos o trabalho visitando as casas, trabalhando com as crianças, treinando os homens num discipulado e fazendo os cultos à noite, tudo com muita animação e direção do Senhor. Foram dias incríveis, em que fizemos novas amizades e vimos pessoas se decidindo para Cristo.
Terminando os dias, tínhamos uma grande viagem de volta, porém após apenas duas horas navegando, o motor aqueceu e parou. Dessa vez, não teve como consertar. Eram 10h00 da manhã e ficamos à deriva no Rio Purus. Oramos e Deus nos deu calma e tranquilidade. Não tinha nada a fazer, apenas esperar a intervenção do Senhor.
Nosso barco descia lentamente pelo canal do rio e, depois de aproximadamente uma hora, uma rabetinha veio ao nosso encontro. Perguntei a eles se poderiam me levar a uma comunidade mais próxima para buscar socorro, mas eles tinham um plano melhor: laçaram nosso barco com uma pequena corda e o rebocaram por duas horas até chegarmos a uma comunidade. Paramos num flutuante e pedimos ajuda.
Disseram que, no outro dia pela manhã, passaria um barco que seguiria para Manacapuru. Ficamos ali, atracados nesse flutuante, onde armamos nossas redes e a Mara começou a preparar nosso jantar num fogãozinho de duas bocas.
Já era noite quando uma senhora e seu filho nos convidaram para entrar e usar sua mesa e as poucas cadeiras da casa. Pela insistência entramos, comemos e perguntamos se poderíamos orar pela família. Entendemos as portas abertas, a direção de Deus e realizamos um pequeno culto,
cantando, pregando a Palavra e orando pelas pessoas daquela família. Foi um momento cheio da presença do nosso Deus.
No outro dia, o barco de linha (chamado de recreio) aceitou nos levar e rebocar nossa embarcação até Manacapuru. A viagem que, na volta, imaginávamos levar 10 horas, fizemos em 59 horas.
Chegamos bem cansados, mas com muitas lições no coração.
Uma delas é bem antiga: podemos fazer planos, calcular gastos, tempo, recursos, mas o Espírito Santo é livre como o vento, sopra e não sabemos de onde vem nem para onde vai, Seus planos são grandes, Ele intervém como e quando quer. Achávamos que nossa viagem tinha acabado, mas Ele tinha outros planos, Ele pensava naquela família e em muitas outras dessa comunidade e dessa região, que pela fé vamos alcançar, pessoas de paz que abriram as portas de sua casa e com alegria nos receberam.
Pessoas que não conhecíamos, mas são alvos do amor desse Deus soberano.
Hoje entendemos que precisávamos estar ali, apesar de todos os contratempos e dificuldades, porque os Seus planos são infinitamente maiores.
Passamos longas 36 horas sendo rebocados para Manacapuru, porém tivemos bons contatos e excelentes conexões. Um deles foi um homem de meia idade, acompanhado de seu filho de 9 anos, cujo nome em português é Moisés. Desde que entramos no barco ele nos observava, atento. Nós nos reunimos na parte de cima do barco, fizemos nosso devocional, cantamos e oramos. Ele estava ali perto, ouvindo. Finalmente conversamos com ele e estreitamos uma amizade. Ele é de uma etnia que nunca tínhamos ouvido falar. Estava indo para a cidade de Beruri, pois sua filha de 14 anos estava para dar à luz; o nome dela é Delícia.
Pegamos seu contato, o nome e o de sua comunidade – e prometemos que na próxima viagem vamos para essa região, visitá-lo.
Nossa oração é para que ele, sua família, sua aldeia e sua etnia encontrem o Salvador.
Sabemos que todo novo trabalho, toda implantação, exige perseverança, determinação, obediência e fé. Sentimos nesse um ano e três meses, avançando nessa nova região, que o trabalho tem sido muito duro, mas apesar de todos os entraves, temos consciência de que Deus tem uma colheita extraordinária e queremos fazer parte de tudo isso.
Orem, queridos irmãos: Por essa batalha espiritual, pela salvação desse povo, pela nossa família e equipe e por recursos financeiros, pois as distâncias são longas e os gastos, cada vez maiores.
Um grande e forte abraço, em Cristo Jesus,
Pr. Genivaldo, Mara, André, Tiago e Silas Febrônio.